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SUSTENTABILIDADE: UMA MODA? 

ByMItv

Nov 15, 2023

Neste momento as diferentes sociedades a nível planetário estão a ser familiarizadas com a o tema da sustentabilidade. A palavra aparece nos noticiários televisivos, aparece em publicidade de produtos serviços. A palavra sustentabilidade surge associada a organizações e seus valores e é integrada cada vez mais como elemento de branding, associada à imagem de marca e aos valores de organizações do setor público, privado e sem fins lucrativos. A afirmação das Organizações Não-Governamentais assume protagonismo no âmbito deste tema. 

Trata-se de uma moda, uma tendência (eventualmente passageira), uma posição política? Uma mania de algumas pessoas que agora se lembraram do assunto? 

Efetivamente trata-se de um conjunto de ideias, sim. Mas não são ideias com o mesmo estatuto que outras que sabemos à partida que se tratam de modas e de tendências, eventualmente passageiras. 

O nível de seriedade do assunto da sustentabilidade é contundente, com caráter de obrigação. É uma forma de ver o planeta, as pessoas e o seu papel, a natureza e o clima…A sustentabilidade diz respeito a todas as dimensões que podem ser associadas ao próprio conceito de desenvolvimento. 

O assunto é de tal forma sério, que as práticas quotidianas e o planeamento (político, social, económico) devem estar completamente imbuídos nas preocupações da sustentabilidade. O assunto é de tal forma sério que as lideranças das nações, das regiões e dos locais devem possibilitar que a visão e a prática da sustentabilidade esteja em absolutamente todas as ações individuais ou coletivas das pessoas concretas. 

Mas o que é a sustentabilidade? Todos fazem a pergunta. Não todos. Direi que todos deveriam fazer a pergunta. Recentemente, e viajando pelos EUA, apercebo-me que a palavra que aqui trazemos – sustentabilidade – é uma palavra estranha a grande parte da população. É associada a liberais, sendo que a América republicana – ideologicamente conservadora – vê o termo associado a quebras na economia relacionadas com a diminuição de emissão de gases de estufa, ou seja, associam a diminuição da pegada de carbono a perdas da economia, de lucros, e logo a perdas de emprego.  

A equação conservadora é esta: verde + economia = pobreza. 

Mas a equação não é linear. Esta equação não é necessária nem obrigatória. Ou seja, outra solução para a equação é possível: verde + economia = desenvolvimento. 

A noção de desenvolvimento é abrangente e relaciona os domínios do social, económico, planeta e clima. Associar desenvolvimento ao termo sustentabilidade é dizer que a nossa casa, ou seja, o planeta Terra, deve ser salvaguardada pois não temos outra alternativa. A idiotice mediática neste momento pondera como segunda casa o planeta Marte, ou uma lua de Júpiter chamada Europa. Se alguém quiser ir para lá na minha vez, pode ir. Dispenso um planeta seco e frio, sem oxigénio na atmosfera, ainda por cima longe que se farta (imaginem o jet leg desta viagem…). 

Associar sustentabilidade a desenvolvimento é, pois, um exercício conjunto da humanidade para «arrumar a sua casa». Mas a tarefa não é fácil, como imaginam. Se inovar no uso de tecnologia mais amiga do ambiente é uma tarefa muito difícil, imaginem o que é concretizar a redistribuição da riqueza produzida no planeta para que essa riqueza não esteja refém de uma minoria de pessoas. Outro assunto que não vai ser fácil de encarar é os países mais ricos pagarem o desenvolvimento dos países mais pobres, potenciando economias emergentes. 

Artigo Opinião: José Morais

By MItv

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